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O erro de Messi – pior, sua desolação: é de se compadecer

Wagner de Alcântara Aragão - jun 28 2016
Messi_Copa_America_Centenario

Me incomodaram extraordinariamente a zoação e a malhação desmedidas sobre Messi, nas redes sociais e no noticiário esportivo, por conta do pênalti mal batido por ele e que fez a Argentina perder a Copa América Centenário.

É evidente que, na condição de melhor jogador do mundo na atualidade, merece e deve ser cobrado, ainda mais quando veste a camisa da seleção de seu país.

As cobranças, porém, devem ter limites de humanidade.

Messi tem Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo.

Uma das características dos portadores da Síndrome de Asperger é a frustração extrema quando perdem, conforme conta Giselle Zambiazzi, presidente de uma associação em Brusque (SC) de pais, mães e amigos de autistas. “Tudo tem que sair exatamente como se propuseram a fazer, caso contrário, é crise na certa”, diz ela, nesta matéria publicada pelo Jornal GGN.

A reação de Messi depois de perder o pênalti, e ainda durante as outras cobranças que se seguiram, ao final do jogo e na entrevista que deu na sequência – em que anunciou desejo de não atuar mais pela seleção argentina – foi uma demonstração evidente de alguém profundamente desolado, inconsolável por aquele fracasso momentâneo.

Fracasso que não foi resultado de incompetência, muito menos de disciplicência (a qual seria, aí sim, passível de condenação).

Foi resultado vai saber do que – o chamado imponderável futebol clube.

Sobre isso, reproduzo o final de um post do jornalista Juremir Machado em seu blog:

“O pênalti perdido por Messi é [Edgar] Morin na veia: os grandes também erram. Não há treinamento ou planejamento que possa impedir o acaso, a emoção, o imprevisível, o azar, o inesperado.

A grandeza do futebol está na sua complexidade: mescla de coletivo, individualidade, técnica, tática, planejamento, risco, acaso, erro, racionalidade, emoção, aposta, ousadia, cautela e mistério.

O erro de Messi humaniza e salva o futebol da tecnoburocracia cientificista.

No jogo, os dados nunca estão lançados.

Nem para o melhor do mundo.

Nem para a vida em rede.”

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Por @waasantista, postado de Curitiba | Foto: Reprodução Página 12

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