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Portela, depois de 34 anos, campeã do Carnaval do Rio de Janeiro

Wagner de Alcântara Aragão - mar 02 2017
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O Macuco Blog/Brasil Observer e a Rede Macuco acompanharam, diretamente da Passarela do Samba Darcy Ribeiro, na Avenida Marquês de Sapucaí, as duas noites de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. O Carnaval 2017 – que termina oficialmente com o Sábado das Campeãs – reservou uma série de fatos e episódios a deixar os aficcionados pela festa boquiabertos.

Vamos lá a tais fatos e episódios:

  • Depois de 34 anos, e após chegar perto várias vezes no último decênio, a Portela é, enfim, campeã. Este blogueiro tem restrições ao estilo Paulo Barros, o carnavalesco atual da Portela, que ganhou notoriedade nacional quando defendeu as cores da Unidos da Tijuca. Torço o nariz pro carnaval de Paulo Barros porque, com exceção do título de 2012, quando na agremiação tijucana desenvolveu um enredo sobre o centenário de Luiz Gonzaga, o carnavalesco opta por enredos que nada acrescentam, pouco dizem. Independentemente disso, o título da Portela foi merecido. Plasticamente, um primor. O samba-enredo, dos mais bonitos do ano. Garra, entrega não faltaram a seus componentes.
  • A ousadia do desfile da Beija-Flor, que aboliu a tradicional divisão por alas. De ponta a ponta, fantasias, alegorias e performances representaram a cultura indígena e retrataram o romance Iracema, de José de Alencar. Esse sim, um enredo rico. O samba, duma harmonia agradável só. Neguinho da Beija-Flor, 41 anos de Sapucaí, em plena forma. A audácia não foi de todo aprovada pelos jurados: a escola de Nilópolis ficou só com a quinta posição; era, na avaliação deste blogueiro, merecedora do título.
  • O desfile manifesto da Imperatriz Leopoldinense, em defesa de Xingu, dos povos indígenas, em denúncia contra práticas predatórias do agronegócio. A escola merecia ter ficado entre as seis e voltar no Sábado das Campeãs; os jurados não entenderam assim, e a agremiação de Ramos ficou em sétimo.
  • Os índios e os negros estiveram extraordinariamente representados na Passarela do Samba Darcy Ribeiro neste ano, justamente quando se completam duas décadas da partida o autor de “O povo brasileiro”, idealizador do sambódromo e que àquele espaço de manifestação popular dá o nome. Além de Beija-Flor e Imperatriz, Vila Isabel, União da Ilha, e mesmo Salgueiro (como sempre costuma fazer, diga-se) e Mangueira, deram ênfase especial a elementos ou da cultura indígena ou da nossa descendência africana
  • Foi, por outro lado, um Carnaval de momentos tristes: dois acidentes com alegorias (da Paraíso do Tuiuti e da Unidos da Tijuca) deixaram quase 30 feridos, alguns deles gravemente. Este blogueiro acompanha in loco os desfiles há 12 carnavais consecutivos; em todo esse tempo, nunca aconteceu algo parecido. Claro, carros alegóricos que quebram ou falham, ou um e outro incidente por vezes ocorrem. Nessa dúzia de anos assistindo ao vivo aos desfiles, porém, nenhum caso de maior gravidade como o dessas noites de 2017.

CONFIRA TAMBÉM:

 

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