Uma noite portuguesa com certeza

Brasil Observer - abr 20 2016
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Ana Moura e a guitarra portuguesa de Ângelo Freire (Foto: Ana Toledo)

Por Guilherme Reis

 

A caminho do Cadogan Hall, em Londres, na noite de terça-feira 19 de abril, para assistir ao concerto de Ana Moura, confesso que não sabia bem o que esperar. Não sou conhecedor de fado. No máximo sei que alguns o consideram como o blues de Portugal. Mas, como adorador do samba de raiz e do choro, estava acompanhado de um bom pressentimento.

Logo, portando, fui arrebatado pela guitarra portuguesa de Ângelo Freire, a lembrar um bandolim chorão com suas cordas desvairadas subindo e descendo ladeiras musicais. Ana Moura, claro, caminhava pelo palco com seu andar delicado, arrancando aplausos desde a primeira palavra cantada por sua poderosa voz.

Ana Moura cantou perfeitamente o repertório de seu novo disco, Moura, além de outras canções, emocionando um público majoritariamente português que esgotou os ingressos com um mês de antecedência. Em entrevista ao Brasil Observer, a fadista disse que o novo trabalho surgiu de “uma vontade nova que tenho de me reinventar a cada disco, dai ter uma borboleta na capa, que simboliza essa ideia de metamorfose”. A cantora considerou que o disco é “musicalmente mais arrojado que o anterior”.

Lá pelas tantas, Ana Moura revelou seu tantinho brasileiro com “Meu amor foi para o Brasil”, letra de Carlos Tê: “O meu amor já tem jeitinho brasileiro / Meteu açúcar com canela nas vogais / Já dança forró e arrisca no pandeiro / Quem sabe um dia vem arriscar outros carnavais”.

A escolha do festival La Linea por Ana Moura foi perfeita: casa cheia, público satisfeito. Em setembro a fadista volta a Londres para apresentação no Barbican. Para os brasileiros de plantão, vale lembrar: domingo 24 de abril tem Criolo no Koko. Mais um show imperdível do La Linea. Estaremos por lá.

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